RESENHA | Conjura — “Eu, A Praxe e a Máquina”

Tauan Oliveira é um nome que já circula há bastante tempo pela cena musical de Feira de Santana. Ao longo da carreira, ele passou por algumas bandas montadas por ele mesmo — entre as quais a 32 Dentes foi a que mais se apresentou e produziu — até chegar ao projeto mais recente: o power trio Conjura.
Ouvindo o trabalho mais novo da banda, “Eu, A Praxe e a Máquina”, dá pra sentir que Tauan finalmente encontrou o seu caminho. Não só como guitarrista — os timbres que ocupam o EP inteiro são excelentes — mas também na forma de cantar as músicas.

Formada em 2019, a Conjura sempre teve a estética do punk como principal referência de composição, entendendo a arte como trincheira — espaço de questionamento, reverberação e organização de ideias comprometidas com a luta por justiça social. Esse traço já estava presente desde o EP de estreia, “Algo Precisa Ser Destruído” (2020), e no single “Crackolândia Blasé” (2022), ambos pelo selo Brechó Discos, que levaram a banda a figurar em festivais e shows locais.
Ouvindo o trabalho mais novo da banda, “Eu, A Praxe e a Máquina”, dá pra sentir que Tauan finalmente encontrou o seu caminho. Não só como guitarrista — os timbres que ocupam o EP inteiro são excelentes — mas também na forma de cantar as músicas.
A Conjura tem uma sonoridade muito bem definida e muito bem acabada. O EP, produzido pelo próprio Tauan, traz uma sonoridade que remete a várias referências, mas que ao mesmo tempo tem muita personalidade própria. Timbres, linhas vocais, letras: existe uma forma bem “Conjura” de fazer rock and roll — energia punk que cruza muito bem com o desert rock, agressiva, mas melódica quando quer, como em “Punk Love Song”, uma das melhores faixas do EP ao lado de “Austera”, que tem um refrão grudento e muito peso.
As outras duas faixas, “Estafo” e “Céu da Boca do Cão”, não ficam para trás: letras interessantes, muita distorção, a bateria agressiva de Edvan Amorim e o baixo certeiro de Cleveson Souza completam o que é, até aqui, o trabalho mais coeso e mais bem produzido da banda.
E pelo que se sabe, a Conjura já tem novo material a caminho. Resta aguardar.
Faixas: Austera · Estafo · Céu da Boca do Cão · Punk Love Song Lançamento: dezembro de 2024
Avaliação
Nota: 8,9/10